Vício em tecnologia continua no radar de especialistas

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O vício em tecnologia é um problema que afeta jovens e adultos no mundo inteiro e preocupa especialistas, além de ter tudo para se agravar no Brasil com a crescente popularidade da indústria cripto

No Brasil, 95% dos brasileiros com idades entre 15 e 33 anos consideram ter vício em tecnologia. Um estudo realizado por pesquisadores do King’s College de Londres apontou que um em cada quatro jovens está viciado em celular. Se ficam longe do aparelho, entram em pânico ou ficam muito chateados.

Os smartphones vieram para ficar e é necessário entender a prevalência do uso problemático de smartphones. Não sabemos se é o próprio smartphone que pode ser viciante ou os aplicativos que as pessoas usam. No entanto, há uma necessidade de conscientização pública sobre o uso de smartphones por crianças e jovens, e os pais devem estar cientes de quanto tempo seus filhos passam em seus telefones, explica o Co-autor sênior, Dr. Nicola Kalk, do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência da King’s College , envolvido no estudo.

“De corpo presente no mundo real, muitos dos pensamentos e atenção dos viciados em tecnologia são do mundo virtual. Um mundo que esses indivíduos têm na palma de suas mãos”, explica o presidente e fundador da Verde Ghaia, Deivison Pedroza.

Em uma mesa com quatro jovens, o grupo não consegue conversar entre si, mas mantém diálogos com seus amigos virtuais. Às vezes com vários ao mesmo tempo. Riem, se divertem. Mas somente no teclado, através de letras e emojis. Em seus rostos raramente a feição muda.

Segundo Pedroza, a pausa para esse “transe tecnológico” acontece só para as fotos. Todos param o que estão fazendo no celular, sorriem, tiram uma, duas, três fotos, compartilham entre si e publicam em suas redes sociais. E então esperam a mágica das curtidas e comentários acontecer. Se não acontecer, aí começa o questionamento de “será que estou feio?”, “as pessoas não gostaram?”, ou “qual é o meu problema?”.

Viver uma vida virtual traz consigo expectativas infundadas. Começa-se a viver em função do que o outro pensa da gente. É preciso agradar a todo momento, senão existe algum problema. A vida mostrada nas redes sociais tem que ser perfeita. É isso que os outros gostam de ver e é isso que cada um quer mostrar. Mesmo sabendo que vida perfeita não existe aponta o especialista em gestão empresarial.

Vida articifial na web

Existem também aqueles que passam mais horas jogando do que trabalhando, dormindo ou estudando. Conhecem de cabo a rabo o mundo virtual dos seus jogos online, mas pouco se interessam pelo real. Fazem amigos, até começam a namorar pessoas que só viram por meio de telas.

O problema é tão grave que a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu o vício em jogos eletrônicos na classificação das doenças mentais. Esse vício em tecnologia é inclusive comparado a casos de dependência química, já que as consequências mentais e físicas são bem semelhantes aos efeitos que as drogas ilícitas causam no organismo de um jovem. E tem até um nome: gaming disorder.

No mundo virtual, qualquer problema que uma pessoa tiver com outra resulta em bloqueio. Aconteceu algo absurdo, que não concordo? Cancelo. Assim, a internet tornou nossas relações mais fáceis, frágeis e supérfluas, porque não precisamos partir para o diálogo quando algo desagrada ou quando queremos melhorar algo.

“Eu simplesmente posso tirar essa pessoa do meu telefone celular, dos meus contatos, dos meus jogos, do meu mundo virtual, que é o único lugar que até então ela existe. E vida que segue, logo o jovem vai conhecer outra pessoa, e assim o ciclo continua. Indefinidamente e cada vez mais intenso” completa Deivison.

O filósofo polonês Zygmunt Bauman diz que vivemos tempos líquidos. E os jovens viciados em tecnologia são um belo exemplo disso. Junto a essa liquidez da modernidade, vem o perigo do vício. A maioria das plataformas, aplicativos de mídia social e jogos foram intencionalmente projetados para prender a atenção dos usuários o máximo de tempo possível. Por isso os muitos ficam com os olhares grudados na tela.

Vício em tecnologia afeta saúde mental

Desse modo, a saúde mental dessas pessoas está sendo preocupantemente afetada. Esse vício em tecnologia está relacionado à estresse, tristeza, falta de sono, isolamento social, solidão, dificuldade de concentração, baixa autoestima e sentimentos negativos e de inferioridade em relação a si mesmo e à sua vida, podendo chegar até a ansiedade e depressão.

Considerar a possibilidade de depressão é extremamente importante, porque um estudo feito com 10 mil jovens canadenses com idade entre 12 e 14 anos demonstrou que quem passa mais de cinco horas por dia em redes sociais tem mais de 50% de chance de sofrer de depressão.

E traz problemas físicos também, como tendinites, sobrepeso, dores na coluna, no pescoço, na cabeça, etc. O empresário Deivison Pedroza levantou algumas questões para reflexão sobre o que podemos fazer para controlar o seu próprio vício.

Por que as outras dimensões da vida não provocam o mesmo interesse e fascínio que um smartphone ou o mundo virtual dentro e um o computador? O que pode estar desmotivando a viver fora do mundo virtual?

As pessoas precisam refletir quanto as suas rotinas de estudos, família, vida social estão sendo prejudicadas e porque buscam suprir necessidades ligadas a afetividade online. Em alguns casos, é preciso procurar ajuda profissional como terapeuta ou psiquiatra especializado no tema.

Novos recursos tecnológicos como o metaverso permitem que os usuários sejam quem quiserem ser sem mostrar a verdadeira identidade. Estar plugado dia e noite, participar de jogos e das redes sociais é sinal de status e até uma necessidade para ser aceito no grupo.

Vida social real prejudicada

Sem dúvidas, a internet e a tecnologia têm muitas vantagens. Mas, estão fazendo muitos jovens perderem a oportunidade de viver inúmeras experiências sociais reais. Eles tranquilamente, naturalmente e facilmente trocam a sua vida real por uma vida virtual.

“A conta disso? Bom, só vamos receber ela daqui uns anos. E espero que a vida não nos cobre tão alto, e que consigamos recuperar nossos jovens antes do mundo virtual os engolirem. E quando falo sobre isso, não tem como não pensar no metaverso, um mundo virtual que tenta replicar a realidade através de dispositivos digitais. Não é algo real, mas busca passar essa sensação de realidade”, finaliza Pedroza.

Ainda não existem um “ciber viciados anônimos” ou “nomofóbicos anônimos” para vencer o vício da tecnologia, mas deveria ter. Pois somente assim talvez possamos entender que a tecnologia por si só é excelente, porém ela precisa ser nossa aliada, não a nossa droga.

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