Moedas digitais de bancos podem revolucionar juros, afirma economista

Moedas digitais de bancos podem revolucionar juros, afirma economista

O economista-chefe do Banco da Inglaterra, Andy Haldane, falou sobre moedas digitais de bancos centrais (CBDCs, na sigla em inglês).

Haldane participou de uma conferência em 10 de novembro. O economista expôs os riscos e benefícios de variações de moedas digitais, como CBDCs e stablecoins privadas.

Segundo ele, as CBDCs poderiam atenuar a necessidade de taxas de juros negativas. A prática tem sido adotada nos últimos 10 anos pelos bancos centrais para “estimular a economia”.

“Na raiz, os juros negativos surgem de uma restrição tecnológica na capacidade de pagar ou receber juros sobre dinheiro físico, sejam positivos ou negativos. Em princípio, uma moeda digital amplamente utilizada poderia mitigar, se não eliminar, essa restrição tecnológica. Embora o foco até agora tenha sido nos custos dessa ruptura – para financiamento e provisão de crédito – o peso também precisa ser dado aos benefícios potenciais de longo prazo de tal mudança estrutural”, disse ele.

Revolução no setor bancário

Haldane disse que uma moeda digital amplamente utilizada pode ter efeitos profundos na estabilidade financeira.

O economista afirmou ainda que as CBDCs poderiam tornar os bancos “mais próximos de um banco estrito”. Isso significa que pagamentos e atividades baseadas em crédito seriam divididos de forma mais limpa.

Para Haldane, essa divisão poderia criar dois tipos de sistema. Um teria dinheiro lastreado por ativos, exclusivo para gastos. O outro seria um sistema bancário de empréstimos, com ativos de maior risco.

“Nós nos aproximaríamos de um modelo de intermediação dividido. Existiria o banco estrito para pagamentos (dinheiro lastreado por ativos seguros). O outro seria o banco de propósito limitado para empréstimo (ativos de risco lastreados por passivos incertos de capital)”, explicou.

Embora essa divisão possa parecer um risco, Haldane pensa o contrário. Para ele, a medida reduziria as instabilidades do mercado financeiro tradicional.

“Em princípio, isso reduziria, na fonte, as instabilidades intrínsecas do modelo bancário tradicional”, concluiu Haldane.

Um novo padrão monetário

Esse novo modelo poderia significar uma das maiores mudanças no sistema bancário desde o fim do acordo de Bretton Woods, em 1971.

Com a divisão entre contas, as CBDCs poderiam voltar a gerar moedas com lastro em ativos reais. Desde o fim do padrão-ouro, nenhuma moeda fiduciária possui qualquer lastro.

Isso foi um dos fatores que facilitou a grande impressão de dinheiro ao longo da história. Apenas em 2020, os bancos centrais já imprimiram US$ 5 trilhões, ou R$ 26,5 trilhões na cotação atual.

O Banco da Inglaterra está atualmente ponderando se cortará a taxa básica para abaixo de zero. Isso significa que os bancos teriam que começar a cobrar dos clientes pelos depósitos.

Sam Woods, presidente-executivo da Prudential Regulation Authority, enviou uma carta aos bancos britânicos em 12 de outubro. Ele solicitou informações sobre como as taxas de juros negativas os afetariam.

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