Confira 5 eventos que podem afetar as criptomoedas em 2021

Confira 5 eventos que podem afetar as criptomoedas em 2021

O ano de 2020 foi a expressão prática do conceito de “cisne negro” difundido pelo economista Nassim Taleb. Em poucos meses, todas as promessas e planos feitos no fim de 2019 caíram por terra. Contudo, o ano foi diferente para as criptomoedas.

A pandemia de Covid-19 modificou completamente o planeta. Governos impuseram fechamentos, a crise econômica atingiu países em cheio. Em resposta, os governos fizeram os maiores programas de impressão monetária da história da humanidade.

Por conta disso, 2020 acabou sendo um ano de pouca coisa a comemorar (só a freguesia do Flamengo pra gente, ê cliente fiel!). E todas as expectativas ficaram ainda mais reforçadas para 2021.

Por isso, hoje vamos conferir alguns eventos que podem mexer com o mercado no próximo ano. Esses eventos podem impactar tanto o mercado de criptomoedas quanto o mercado tradicional.

Novo governo dos Estados Unidos

Apesar do discurso de Donald Trump sobre fraude nas eleições, o democrata Joe Biden foi confirmado como vencedor. Assim, ele se tornará o 46º presidente do país a partir de 20 de janeiro.

E agora as expectativas se voltam para como será o governo Biden. A tensão com a China permanecerá em alta? Biden será menos isolacionista que Trump? Haverão novos estímulos financeiros para a economia norte-americana?

“Espera-se um governo mais previsível por parte dos Estados Unidos, com Biden esforçado para montar uma equipe vista como crível e muito sólida”, diz Fábio Akira, da economista-chefe da BlueLine Investments, ao Valor Investe.

Recentemente, o Congresso dos EUA aprovou um pacote de estímulo no valor de US$ 900 bilhões, cerca de R$ 4,5 trilhões na cotação atual. O pacote foi sancionado pelo presidente Donald Trump.

Inflação e taxas de juros

Com a pandemia, a atividade econômica sofreu um duro baque. Para tentar estimular melhoras, o governo brasileiro empurrou a taxa Selic para 2% ao ano, menor patamar da história do Brasil.

Por um lado, isso estimulou diversos investimentos no setor produtivo. O índice da bolsa brasileira (IBOV) recentemente renovou sua máxima histórica atingindo 119 mil pontos, apagando todas as perdas do ano.

No entanto, a queda da Selic pressionou o câmbio. O dólar chegou a sua máxima histórica em 2020, atingindo quase R$ 6,00. O real foi uma das moedas que mais perdeu valor no mundo em 2020.

Por isso, muitos economistas alertam que os cortes na Selic foram fortes demais. E em breve, o Banco Central pode vir a ter que elevar novamente a taxa.

Segundo a XP Investimentos, mudanças no cenário fiscal podem fazer com que os juros sejam elevados no começo do ano. No entanto, o cenário-base permanece com uma alta a partir do segundo semestre de 2021.

“Se houver mudança no regime atual, especialmente na regra do Teto de Gastos, que comprometa a estabilidade da dívida pública, o BC pode subir os juros antes do esperado. Mas esse não é nosso cenário base para 2021”, dizem os analistas da XP.

O próprio Ministro da Economia Paulo Guedes alertou que o Brasil pode vivenciar um hiperinflação se não equilibrar suas contas. Por isso, a economia deverá ser um tema central no próximo ano.

ETF de Bitcoin

Sim, ele está de volta. O ETF de Bitcoin já foi uma pauta relevante em anos anteriores. No entanto, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) rejeitou todos os pedidos de abertura desse tipo de fundo.

Porém, o Bitcoin era apenas uma curiosidade no passado. Hoje ele experimentou um forte crescimento entre os investidores institucionais neste ano. Em 2020, empresas e fundos já acumularam mais de 1 milhão de Bitcoins sob custódia.

Tal volume já é relevante demais para ser simplesmente ignorado. E caso o novo presidente da SEC seja um defensor do Bitcoin, o caminho para o ETF estará mais curto.

A criação desse fundo facilitará a exposição de investidores institucionais ao Bitcoin. Além disso, investidores de varejo também terão uma ferramenta mais simples para investir.

Fraqueza do dólar

O mundo viu uma “chuva de dólares” na economia em 2020. Foram mais de 4 trilhões impressos em um único ano, algo nunca visto antes.

Cedo ou tarde, essa chuva de dinheiro poderá entrar na economia. E isso pode causar uma forte alta nos preços dos setores onde ela acontecer. O mercado de ações, por exemplo, está em suas máximas históricas, sustentado em parte por essa impressão.

Se existem mais dólares no mercado, a moeda tende a perder valor. E isso pode beneficiar outras moedas e ativos que não podem ser impressos pelo governo, como o Bitcoin.

Os pacotes de estímulo seguirão?

Os bancos centrais inundaram o mundo com dinheiro farto. Isso ajudou a conter parte dos efeitos da crise econômica de março. Entretanto, será que essa liquidez permanecerá infinitamente?

Segundo Fábio Akira, existem limites para a ação do governo. E na hora em que a torneira do dinheiro secar, isso poderá trazer sérios problemas.

“Depois da crise financeira de 2008 e 2009, teve uma mini crise em 2011 por conta da reversão do ‘quantitative easing’ [flexibilização monetária]. A desacelerando da expansão monetária foi lida como um erro de política econômica porque foi prematuro”, alerta Akira.

Esses efeitos foram vistos em tempos recentes. Em 2018, o Federal Reserva (Fed) subiu as taxas de juros nos EUA e começou a interromper os programas de estímulo.

Porém, em dezembro daquele ano os mercados sofreram fortes quedas. Isso interrompeu a atitude do Fed, que teve de mudar sua postura.

“Depois da expansão cavalar, está todo mundo de olho em como as autoridades monetárias vão conduzir daqui para frente. Há um temor de que a retirada dos estímulos coloque uma nova crise no curto prazo”, diz Akira.

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